Pontuar os aspectos entre a Europa e a Ásia sempre esteve no coração do grupo B.D de Silva, uma empresa familiar de 140 anos. O jogo entre ambas culturas que definiram a empresa, refletiu em uma série de lições que foram compartilhadas no Seminário Internacional do FBN em 2011.
Lição 1: Generosidade em foco.
O fundador Balage Porolis de Silva iniciou os seus negócios usando o conhecimento que adquiriu de seu pai, um pequeno negociante de jóias. Em 1872 emigrou do Sri Lanka para Cingapura onde se focou no comércio de jóias tendo em mente um único ideal- não venderia nada que ele mesmo não compraria. Sua postura intransigente quanto à boa qualidade de seus produtos igualavam-se à sua reputação de honestidade e filantropia. As pedras trabalhadas seguiam a estética das jóias européias e eram interpretadas por uma mente asiática e assim, seu trabalho tornou-se extremamente valioso para a realeza da época.
Quando se tratou de sucessão, a tradição ditava que Balage deveria deixar seus negócios inteiramente para seu filho apesar do fato de ter outras quatro filhas. Mas, após muita ponderação, ele percebeu que seu filho não era capaz e/ou bem conceituado o suficiente para sucedê-lo.
O seu filho quis viver uma vida de luxo e de muitas posses, perdendo assim o respeito e a oportunidade de assumir o negócio. Balage teve que tomar a difícil decisão de deserdá-lo. Esta foi uma decisão radical para a estrutura familiar. A propriedade fora dividida em seis partes iguais, com os cinco filhos recebendo uma parte cada. Nesta etapa, todos tinham direito de voto, menos o filho. A sexta parte foi concedida aos principais gestores da empresa, uma decisão nada comum para a época. Mais tarde essa movimentação progressiva provou ser uma jogada de mestre.
Lição 2: Honestidade acima de tudo.
Após a morte de Balage, as quatro filhas e seus respectivos maridos perceberam que os gestores que haviam recebido parte da sociedade eram os mais adequados para tocar a organização. Um jovem gestor em particular destacava-se, seu nome era Titus. Apesar de ser muito jovem e ter um cargo júnior, previu um período de crescimento até a chegada do desastre.
Até 1942, Cingapura era vista como uma fortaleza que jamais seria tomada pelo exército japonês. Porém, Titus desconfiava das colônias britânicas e de sua crença de estarem 100% seguros. Ele queria estar preparado para o pior e por conta própria retirou as jóias mais valiosas dos cofres da empresa e as enterrou em seu quintal.
Em meio à confusão da guerra, os japoneses invadiram Cingapura e saquearam a loja. Mas, o que não sabiam era que os itens mais valiosos permaneceram seguros e escondidos de baixo de uma árvore no quintal de Titus até o fim da guerra. Após a guerra, Titus devolveu tudo aos respectivos proprietários e recusou qualquer tipo de recompensa por seus atos. Balage e suas filhas criaram uma enorme confiança por Titus, já que ele poderia ter enriquecido e dizer à família que os japoneses haviam roubado todos os bens da loja.
Lição 3: Consolidar para sobreviver
Na terceira geração, o grupo curtiu um período de crescimento sustentável juntamente com Cingapura, que ascendia economicamente e se destacava globalmente. Neste momento, a empresa já havia se expandido para diversas áreas e desavenças estavam começando a surgir entre os acionistas.
Assim, foi traçado um plano para criar linhas claras e objetivas da divisão geográfica entre os seis clãs, com a garantia de que não haveria nenhuma inferência desde que cada grupo passasse seu nível de desempenho e provassem um aumento de 10% anuais.
Este acordo funcionou perfeitamente por cerca de uma década, até surgirem problemas inevitáveis com a quarta geração. Os interesses dos acionistas e de seus filhos eram cada vez mais diversos, então ficou claro que o acordo não era adequado para o mundo em constante desenvolvimento e mudança. Todos perceberam que o caminho seria que apenas um grupo controlasse 51% das ações. Mas, a questão neste ponto era quem teria condições de comprar as ações alheias?
Surge assim a família Amarasuriya que sacrificou todos os seus ativos ao assumir um empréstimo enorme. O empréstimo veio do HSBC cujo primeiro cliente em Cingapura foi ninguém mais que Balage de Silva. O novo acordo assegurou que os acionistas comprometessem-se à direção estratégica de poucos do que ao gosto e capricho de muitos.
A consolidação foi bem sucedida, mas veio com um custo- a empresa estava atolada de dívidas. Foi neste período que o chefe da família (que organizou todo o processo de consolidação) sofreu um derrame que o paralisou dos olhos para baixo, deixando o peso das dívidas para a próxima geração.
Lição 4: A humildade é a melhor professora.
Decisões difíceis tiveram que ser tomadas para pagamento das dívidas, incluindo vender e encerrar diversas subsidiárias que não traziam muito retorno. Isto trouxe grandes problemas para todos os participantes, mas foram resolvidos com paciência e coragem. O negócio foi re-energizado e re-orientado, e isso trouxe um benefício inesperado- chamou a atenção de Nicholas Hayek, fundador e CEO do grupo Swatch.
Ele propôs que ao invés de serem meros distribuidores, o grupo B.P de Silva deveria assumir uma parceria. Basicamente fariam parte do seu grupo de empresas no mercado asiático. O desafio para os membros da família era trocar seu papel de líder e assumir um papel secundário, e, ao mesmo tempo, adaptar-se a uma cultura de uma grande empresa de capital aberto.
Embora os descendentes da BP de Silva estivessem agora num papel secundário, foi muito útil para eles se expor a uma empresa que era dirigida pelas demandas específicas de investidores públicos. Esta ação levou para uma das maiores parcerias na história da empresa, duas empresas com culturas diferentes se uniram em um espírito de aprendizagem e empreendedorismo.
Status Atual.
Atualmente, o grupo B.P. de Silva se concentra em duas categorias principais. A categoria de bens de luxo inclui: jóias top de linha, especializada em revestimento em ouro; Alimentos e bebidas de alta qualidade; E a posse de marcas de relógios Suíços.
Nenhum comentário:
Postar um comentário