O processo de doar dinheiro deveria unir as famílias empresárias, mas muitas vezes o resultado é o inverso. Doris Buffett, irmã de Warren Buffett, falou sobre os desafios do trato do DA– dinheiro alheio. Ela diz que “é difícil não ser afetado pelo DA” e avisa que isto pode ser perigoso. Seguem cinco questões para estimular o pensamento em como as famílias podem trabalhar em busca de resultados positivos e evitar ciladas.
Estas questões foram parcialmente inspiradas em uma sessão no Seminário Internacional do FBN em Cingapura. Esta sessão foi presidida por Francois Monnet do Credit Suisse, presidente da Ultra High Net Worth (UHNW) para bancos particulares do Sudeste da Ásia, Austrália e Japão. Durante a introdução à sessão ele falou sobre as mudanças na filantropia e problemas encontrados pelas famílias conscientes.
As cinco questões são:
1. Qual o propósito?
Os valores alocados por uma fundação familiar para caridade podem revelar diferenças nas prioridades entre gerações. A geração mais velha pode insistir em investir em áreas mais tradicionais da filantropia, esperando que as gerações mais novas respeitem as heranças e o legado. Por outro lado, as gerações mais novas podem ter preocupações diferentes e desejam deixar pra trás antigos (e ultrapassados) conceitos filantrópicos.
Em uma família, por exemplo, o membro sênior é um contribuinte apaixonado de longa data por um importante nicho de baixo investimento da medicina. Ele tem orgulho de fazer a diferença e enxerga esta como uma contribuição duradoura para a humanidade. Porém, seu neto quer redirecionar estes aportes para a causa dos gays, lésbicas e simpatizantes e grupos de assistência social.
O impacto na família pode ser positivo se consideramos a oportunidade de aprender a respeitar as diferentes opiniões, definir expectativas e negociar acordos mútuos razoáveis. Porém, não é raro que ocorram conflitos e troca de acusações (“eu culpo seus pais por colocar estas ideias em sua cabeça”, e assim por diante). Em alguns casos, talvez o pior resultado seja uma separação na fundação da família em grupos, cada um seguindo seu propósito.
2. Qual o processo?
Uma família achou impossível chegar a um consenso sobre filantropia por causa da diferença na forma que cada geração aborda as propostas de doação. As gerações mais novas analisam as propostas e imediatamente disparam e-mails com rápidas perguntas e alguns tópicos. Eles se frustram com as gerações mais velhas que parecem relutantes em responder e se engajar nas causas.
Uma família achou impossível chegar a um consenso sobre filantropia por causa da diferença na forma que cada geração aborda as propostas de doação. As gerações mais novas analisam as propostas e imediatamente disparam e-mails com rápidas perguntas e alguns tópicos. Eles se frustram com as gerações mais velhas que parecem relutantes em responder e se engajar nas causas.
Entretanto, a geração mais velha sente que são os únicos a entrar no detalhe das propostas e criar respostas ponderadas, resultantes de semanas de reflexões. Eles se frustram com a abordagem “superficial” dos filhos e netos.
A família eventualmente assume um processo que leva em consideração as diferentes abordagens. Isto não só beneficia a família no que tange a filantropia, mas também em todas as decisões.
3. Quanto doar?
A questão do “quanto doar” tornou-se assunto quente nos últimos anos. Veja o exemplo do homem de 32 anos que já doou $ 10 milhões de dólares do patrimônio que seu pai (ainda firme em atividade) lhe passou. O filho planejou manter apenas o suficiente para cobrir suas despesas pessoais e alguns extras. Mas o que acontece se este plano falhar? Se a taxa real de retorno sobre investimentos cair de 4% para 2% por causa da economia global? Ou mesmo se ficar negativa?
Outro exemplo, uma senhora de 60 anos disse: “alguns dos meus familiares mais próximos se preocupam que minhas doações possam afetar suas heranças”. Avareza pode fazer parte do jogo, mas tanta ansiedade sobre presentes impulsivos, medo do futuro incerto e a crença de que o dinheiro da família não deve ser gasto com caprichos pessoais, se justifica.
Um filantropo ressalta que o dinheiro que você ganha é seu, mas que o dinheiro que você herda vem com “uma grande bagagem psicológica.” Decisões tomadas por pessoas que doaram grandes parcelas de dinheiro não ganhas por elas mesmas e que gerações anteriores acreditavam que deveria ser guardada em favor das crianças ainda não nascidas, podem ser particularmente problemáticas. Assim, ao tomar decisões sobre o que doar, faça uma clara separação entre DA – dinheiro alheio e DP – dinheiro próprio.
4. Quanto arriscar?
Um jovem homem, que se auto intitula como filantropo de risco, diz: “se a metade das doações que fazemos não falha, então nós não estamos arriscando o suficiente.” Sua estratégia é a de diversificar suas doações e esperar que ao menos uma delas tenha sucesso, compensando o desapontamento com as outras.
Ë interessante ver que a mãe deste mesmo jovem fica horrorizada com esta estratégia. A última coisa que ela quer é “desperdiçar” qualquer dinheiro ganho com tanto esforço e originalmente destinado a ajudar a comunidade. Ela é muito mais como uma velha gerente de banco, preferindo apoiar grandes e tradicionais institutos de caridade em vez de projetos emergentes com ideias brilhantes e sem histórico.
Ambas as abordagens podem ser valiosas e podem ter bons resultados. A chave do negócio é ter as expectativas e os acordos claros, evitando um jogo de acusações entre pessoas de visões diferentes sobre riscos na filantropia.
5. Quem deve fazê-lo?
Em algumas fundações com transparência limitada e pouco interesse de terceiros, pode ser que pessoas definam seus salários apenas pelo que são e não pela sua real contribuição. Citando outro pensamento de Doris Buffett: “o mundo da filantropia também tem seu lado corrupto.”.
Um líder empresarial desesperado com o baixo desempenho de seu primo na empresa trocou sua posição para uma de liderança dentro da fundação de caridade da empresa. Seu raciocínio foi o seguinte: uma vez que ele parecia ter um infeliz hábito de reduzir o valor do patrimônio, deveria se dar bem em um papel na qual o sucesso é fazer o dinheiro sair e não entrar.
Em contraste, fundações familiares bem administradas muitas vezes são tão profissionais quanto as empresas familiares.
Temos muitos exemplos de boas praticas e o FBN demonstra isto em eventos como no nosso Seminário Internacional. Estudos de casos estão disponíveis para membros do FBN na página pós-seminário em Famílias e Filantropia.
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