quinta-feira, 19 de abril de 2012

Patrimônio: Da Gestão do Negócio para a Gestão da Liquidez


 
Com o desenvolvimento e sofisticação do Mercado de Capitais brasileiro (Novo Mercado e Níveis Diferenciados de Governança Corporativa e a reforma da Lei das Sociedades Anônimas), famílias que, até então tinham a maior parte de seu patrimônio imobilizado em suas empresas, encontraram um caminho para obtenção de liquidez –através de IPOs - que trouxe benefícios não só para eles, mas para suas empresas, além de fortalecer o mercado acionário como alternativa de investimento.

Neste momento, essas famílias passaram a encarar um novo desafio em relação ao seu patrimônio, a necessidade de administrar uma parcela agora muito mais significativa de liquidez, sendo que na sua maioria, a especialização de conhecimentos era direcionada ao negócio da empresa e não à administração dos recursos líquidos.

Administração da liquidez deve ser tratada como um novo negócio. Certamente a criação de uma estrutura especificamente com esse objetivo não segue nenhum tipo de molde ou conjunto de regras, porém o alinhamento de certos interesses e a relação de confiança com as pessoas que nela trabalham ou irão trabalhar é fundamental para o sucesso do projeto. As famílias que optam por ter seus recursos administrados como um novo negócio tem uma vantagem em relação às famílias que decidem distribuir seus recursos por diferentes gestores, sem preocupação de consolidação: possuem uma visão global do portfolio, o que facilita na decisão do montante que poderá ser comprometido com cada estratégia de investimento, elimina riscos de concentração em ativos específicos, consolidam o relacionamento com uma equipe focal, facilitando a transferência de conhecimentos para novas gerações, entre outros.

Questões que vão muito além da escolha dos produtos financeiros começam a surgir.
Perguntas como, o que eu quero fazer com a minha riqueza? Como posso usar essa liquidez para fortificar os talentos dos familiares? Será que chegou o momento de participar de projetos de filantropia? Como essa nova estrutura vai se relacionar com o negócio da família, se ainda fizer parte dele? Como educar meus filhos para essa nova realidade?

O Multi Family Office surge como um instrumento capaz de agregar diversas características insdispensáveis para essa nova realidade. Os interesses das famílias são o Norte na escolha das melhores opções de investimentos, já que essa estrutura não possui produtos para competir com os oferecidos no mercado, e a escala obtida pelo conjunto de recursos de diversas famílias possibilita a participação em investimentos com valores altos de aportes mínimos, além de criar maior força na negociação de custos com os bancos e prestadores de serviços. Outro ponto importante dese tipo de estrutura é a capacidade de oferecer um conjunto de soluções diversificadas, onde conhecimentos adquiridos pela Turim (mantendoa confidencialidade) na busca de soluções para uma família podem ser facilmente transferidos para busca das melhores soluções para outras famílias.

Em um estudo feito pelo Wharton Global Family Alliance no mercado de investimentos americano, os Family Offices aparecem como a categoria de investidores que tem a maior habilidade de investir no longo prazo, caracterizado pela estimativa do percentual de seus ativos que estão alocados em investimentos de maturação longa, que é de aproximadamente 35%. Esse número é maior do que das próprias Fundações e Entidades Filantrópicas - empresas que prestam serviços à sociedade e não possuem como finalidade a obtenção de lucro - que historicamente são considerados investidores de longo prazo, mas que tem um percentual estimado de sua alocação nesses ativos de 20%.

Os Family Offices são responsáveis não somente por manter e aumentar a riqueza das famílias pelas gerações através de retorno em seus investimentos, diversificando riscos ou procurando maior flexibilidade para aproveitar com prudência as oportunidades de nosso ambiente econômico dinâmico, mas também em sustentar o espírito empreendedor entre as gerações por meio de educação financeira para preparar a nova geração para a riqueza. O legado da família vai além de deixar recursos financeiros, é muito relacionado ao capital humano.

A transferência de riqueza para novas gerações deve ser encarada como uma transição gerencial em uma empresa. No momento que o empreendedor resolve se retirar do dia a dia, por exemplo, e esta passa a ser gerida uma nova gerencia que não tem familiaridade com o negócio, a probabilidade de sucesso nessa transição é muito pequena. Comparativamente, esse será o mesmo problema que enfrentará uma família que não prepara seus sucessores para as suas novas responsabilidades.

No livro Cinco Passos para Sucesso na Transição de Riqueza e Valores Familiares, Roy Williams expõe um resultado assustador após entrevistar 3.250 famílias com alto poder aquisitivo nos EUA: 70% das famílias não têm sucesso na transição de patrimônio para novas gerações. Eles usam o termo não ter sucesso para caracterizar a perda involuntária do controle dos ativos. Como principais motivos ele aponta a quebra de comunicação e confiança entre familiares (60%), herdeiros despreparados (25%) e conjunto de outras causas como problemas fiscais e legais (15%).

A transparência de informações que uma empresa listada em bolsa oferece ao mercado pode também ser encarada como mais um desafio que motiva a educação das novas gerações, já que os herdeiros podem facilmente multiplicar o percentual da participação acionária detida pela sua família na empresa.

Jovens precisam aprender que mais importante do que os recursos que vão receber é estar preparado para administrar esses recursos. Sendo assim, uma boa estratégia é doar para as novas gerações um valor inicial simbólico, e trabalhar em conjunto para desenvolver um plano inteligente de manutenção deste patrimônio, onde o risco de perda é limitado. O sentimento de posse sobre esses recursos, e o comprometimento que acompanha o movimento, capacita as novas gerações para suas futuras responsabilidades. Além disso, permite a definição de “sucesso” pelos seus próprios parâmetros e a identificação de interesses individuais que ajudam na contribuição futura ao crescimento da riqueza familiar.

A partir de 2004 – ano que se tornou conhecido como ponto de inflexão para o mercado de ações pelo aumento significativo de IPOs – listamos 52 empresas familiares que optaram por vender parte ou a totalidade de suas participações através da bolsa de valores. Para chegarmos nesse número usamos as premissas de Aberturas de Capital que tivessem um percentual de Oferta Secundária, com famílias brasileiras fazendo parte do controle das empresas, e que não tiveram seus registros na CVM cancelados até a data de hoje.

Considerando apenas os valores envolvidos nos eventos de abertura de capital, essas famílias receberam aproximadamente R$ 9 bilhões. Se considerarmos que essas mesmas empresas voltaram ao mercado para novas emissões de ações, somamos a esse número o valor de aproximadamente R$ 5 bilhões. Ou seja, essas famílias receberam, nos últimos sete anos, R$ 14 bilhões em liquidez injetados no sistema financeiro apenas através de ofertas públicas.

Deste grupo de empresas analisadas, 43 ainda possuem as famílias controladoras originais na sua base de acionistas. Considerando os valores de mercado atuais dessas empresas, aproximadamente R$ 50 bilhões dessas famílias ainda estão investidos em seus negócios, podendo se transformar em liquidez a qualquer momento.

Estar preparado para, de um dia para o outro, ter acesso à recursos que não faziam parte da realidade da família é imperativo. A sabedoria supera qualquer riqueza, e a maior sabedoria de todas é aprender a passar para novas gerações os conhecimentos adquiridos durante o processo de construção da riqueza familiar.

Fonte: Turim Family Office – www.turimbr.com

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