quinta-feira, 30 de agosto de 2012

7º Congresso Next Generation 2012

Os participantes do 7º Congresso Next Generation tiveram uma programação intensa de palestras e debates envolvendo temas corporativos e também a oportunidade de se encantar com a história, a beleza e a enogastronomia de alta qualidade da Serra Gaúcha. O evento, voltado a membros de empresas familiares mostrou a trajetória de desafios e sucesso das principais famílias produtoras de vinho do país. Foram organizados almoços, jantares, degustações de rótulos e visitas aos vinhedos e instalações de importantes vinícolas da região para acompanhamento do processo de produção da bebida.
Em ambientes rústicos e carregados de história, os jovens participantes do congresso conheceram um pouco do dia-a-dia de empresas da região, que vêm atravessando gerações e trilhando trajetórias de sucesso.
As famosas vinícolas Salton, Miolo, Lovara e Villa Valduga estavam dentro desse roteiro de turismo e sabor,que seduziu o público inscrito. Teve também a apresentação de cases de empresas familiares do Rio Grande do Sul, como o da família Salton (Vinícola Salton), que já se encontra na sua 4ª geração. Daniel Salton (Diretor-Presidente e membro da 3ª geração) e Maurício Salton (Diretor de Planejamento e membro da 4ª geração) passaram aos participantes um pouco das experiências e vivências da família no comando dos negócios para jovens membros de outras empresas familiares do país.

Segundo Alessandra Nishimura, Conselheira do FBN Brasil, os congressos NxG (Next Generation) são direcionados àqueles que estão se preparando para uma carreira no negócio familiar ou se encontram em meio a um processo de sucessão na organização e precisam desenvolver habilidades, como liderança e espírito empreendedor para serem utilizadas em situações de conflito, negociação e gestão. “Sem dúvida, o aprendizado maior desses encontros é o compartilhamento e a troca de experiências de famílias para famílias”, afirma Alessandra.


                                Grupo NxG 2012 na Vinícola Salton
                               Visitação Vinícola Salton

                               Degustação Vinícola Salton

                                Membros da família Bettanin

                               Apresentação da família Salto
                               Degustação Vinícola Salton
                              

                               Membros da família Fleck


                                                Herdeiras Viação Ouro e Prata
                                 Jantar na Vinícola Salton
                               Jantar na Vinícola Salton

                               Membros da família Nishimura


                                           Membros da família Bettanin na Vinícola Miolo
                               Membros da família Bettanin

                                Grupo NxG 2012 Vinícola Miolo

                               Membros da familía Martins Ribeiro

                               Vinícola Miolo

                               Vinícola Miolo


                               Herdeira Frangos Pioneiros
                               Membros da familía Martins Ribeiro




                                Palestra Vinícola Lovara


                               Almoço Vinícola Lovara

                                Almoço Vinícola Lovara

                               Hotel Spa & Vinho herdeiros familía Cardão e Seculus

                                Herdeiras Frangos Pioneiro
                               Palestra Luciano Pires e herdeiras Frangos Pioneiros

                                Membro família Bettanin Villa Valduga

                               Herderia Frangos Pioneiro Villa Valduga
                                Grupo NxG 2012 Villa Valduga

                               Visitação Villa Valduga

                                Jantar Villa Valduga

                               Membros família Nishimura

                               Grupo NxG 2012 Jantar Villa Valduga



segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Encontro FBN de Famílias Empresárias

Rio de Janeiro - Hotel Pestana, dia 29 de maio.
No Rio de Janeiro, o Encontro FBN foi apoiado pela Família Monteiro de Carvalho e Família Nacht.
Entre os palestrantes, Olavo Monteiro de Carvalho (representante da 3ª geração) e Joaquim de Mello (4ª geração), do Grupo Monteiro Aranha. Fundado no início do século XX, o grupo esteve presente em diversos setores da economia, tendo participado da Klabin e da fundação da Volkswagen brasileira, entre outros investimentos nos setores industriais e de serviços.
E, também, Francisca Nacht, representante da 3ª geração da Mills, que está completando 60 anos de atividades. Em 1952, o romeno José Nacht associou-se a uma empresa francesa e trouxe andaimes tubulares até então desconhecidos no Brasil. Cristian Nacht substituiu seu pai na presidência no final dos anos 70 e ficou na posição por quase 30 anos, período em que a gestão foi profissionalizada. Em 98, passou a presidir o Conselho, onde se encontra até hoje. Em 2007, a Mills recebeu investimentos de dois fundos de private equity, abrindo seu capital em 2010 e deslanchando um plano agressivo de expansão.

Veja abaixo as impressões vindas dos participantes sobre o Encontro FBN:
Marcelo Schaimberg (sócio da Brokers Seguros – 1ª geração)
“Foi a primeira vez que participei de um encontro FBN e gostei muito do formato: dinâmico, objetivo e com apresentações de ótimo nível”.
Lenise Lemos (Grupo Cegil – 2ª geração)
“Os eventos do FBN são sempre ricos, promovem muito aprendizado e networking. Não importa o ramo de atuação da empresa ou o tamanho da família. Algumas questões do dia-a-dia de uma empresa familiar são comuns a todas”.
Astrid Monteiro de Carvalho (Grupo Monteiro Aranha – 5ª geração)
“Foi a primeira vez que estive em um evento do FBN e gostei bastante. Essa troca direta de família para família é muito produtiva”.

Manaus - Hotel Blue Tree, dia 20 de junho.
Em Manaus, o Encontro FBN foi apoiado pela Família Trecenti de Lençóis Paulista, interior de São Paulo. Leia abaixo, alguns pontos revelados por eles no evento:
Entre os palestrantes do encontro, estavam Carlos Renato Trecenti, CEO e membro da 2ª geração do Grupo Lwart (SP), e Sara Hughes, sua esposa e membro do Conselho de Administração. Formado por três empresas (Lwart Lubrificantes, Lwarcel Celulose e Lwart Química), o Grupo, 100% nacional, emprega hoje 3.3 mil colaboradores, entre próprios e terceirizados.
Segundo Trecenti, entre as dificuldades enfrentadas por empresas familiares, destacam-se: a dificuldade em separar papéis entre os executivos (funcionários), os acionistas e os familiares; o crescimento da família, que demanda estrutura e organização para se alinhar os valores e expectativas, e a resistência das organizações para criar estrutura e se preparar para o futuro quando tudo vai bem no presente. 
O executivo contou que no Grupo Lwart o planejamento sucessório e os investimentos em governança corporativa, societária e familiar começaram há cerca de 15 anos, mas trata-se de um trabalho contínuo. “É importante respeitar as conquistas do passado, mas não podemos nos acomodar. Passamos por uma primeira sucessão na gestão da empresa em 2009, de acordo com um plano traçado dois anos antes e com apoio de toda a família. O plano permitiu que fizéssemos a transição de forma transparente a todos os stakeholders da empresa”, explicou o CEO do Grupo.
 No Grupo Lwart, foi criado um Conselho de Administração com a participação dos fundadores para se fazer a transição no programa de sucessão da empresa. “Assim contamos com a experiência dos conselheiros, definindo diretrizes estratégicas, apoiando e cobrando resultados da nova geração de executivos familiares, e também não familiares, que assumiram o comando da operação. Foi possível, dessa forma, fazermos uma renovação com continuidade e bem alicerçada”, explicou Trecenti.  
Membro do Conselho de Administração do Grupo Lwart, Sara Hughes destacou entre os principais avanços obtidos nesse processo, os três “Es”: estrutura, educação e envolvimento. Temos hoje estrutura e regras que permitem que as discussões aconteçam na hora certa e de maneira saudável. Investimos bastante em treinamentos para a formação de bons acionistas. A participação da família nos foros da governança familiar e societária é cada vez maior”, explicou à executiva.
 Ela defendeu investimentos em Governança Corporativa/Familiar para o sucesso das empresas do gênero. “Temos a impressão de que, no Brasil, as práticas da moderna governança corporativa se expandem mais rápido que as da governança familiar.  Em nossa visão, no entanto, os dois componentes devem evoluir juntos, pois a base da empresa familiar é a família. Com nossos esforços em governança, temos conseguido uma evolução positiva nos princípios de transparência, prestação de contas, equidade e responsabilidade corporativa. Entendemos que para uma empresa familiar, a responsabilidade corporativa significa zelar pela sustentabilidade da organização e cuidar da estrutura societária e familiar”, afirmou Sara.
Por fim, Carlos Renato Trecenti revelou que uma característica peculiar do Grupo Lwart é incluir os cônjuges na governança assim que eles chegam.  “Depois de vários casamentos nos últimos anos, fizemos até um programa de treinamento especial somente para os novos cônjuges. Acreditamos que todos devem ser incluídos nas discussões e que as próximas gerações da família devem ser criadas por pais e mães educados como acionistas e devidamente engajados na governança”, concluiu.

Retreat: Cinco desafios que as empresas familiares podem enfrentar antes de 2020


Na reunião de 2012 dos capítulos do FBN, que ocorreu nos dias 10-11 de maio em Genebra, representantes de 26 federações associadas ficaram durante uma sessão discutindo possíveis ameaças que as empresas familiares poderiam enfrentar nos próximos anos. Algumas pareceram bastante desafiadoras, mas o FBN está bem posicionado para prover suporte ‘de famílias para famílias... Para empresas bem sucedidas!

1. Tecnologias revolucionárias aumentam a concorrência.

A tecnologia está mudando a cara do setor de varejo, na qual as empresas familiares foram sempre tradicionalmente fortes. Uma das razões dessa força é que a família aumenta o envolvimento tanto com os clientes como com os empregados.

Mas no atual mundo de compras online, o comércio eletrônico, a questão da família como proprietária não existe mais. As pessoas podem acessar a internet, ver uma lista de preços oferecida por diversos revendedores e clicar para comprar daquele que for mais barato. Caso queiram saber a qualidade do produto, veem as criticas e números de avaliações positivas e/ou negativas. Porque o nome da empresa ou quem são os proprietários interferiria na tomada de decisão do consumidor?

Ainda é possível realizar bons negócios no setor de varejo. Mas, será mais complicado para as empresas familiares obterem a parte deles com o avanço revolucionário da tecnologia atual?  E, de uma maneira geral, a tecnologia poderia ter um impacto negativo nessa indústria para as famílias?



2. A internet acaba com a margem de lucro de todos

Os jornais, assim como o setor de varejo, é uma indústria na qual as empresas familiares sempre foram tradicionalmente fortes. Durante anos, os lucros disparavam com aqueles ‘pequenos anúncios’ de compra e venda.

A internet trouxe novos competidores que assumiram parte desse mercado. Mas o verdadeiro ‘vilão’ foi o crescente número de sites que ofereciam o mesmo serviço ou até melhor e sem custo algum.

Um desses é o: craiglist.org, fundado por Craig Newmark. Craig iniciou sua lista em São Franciso, principalmente para ajudar amigos, não para ficar rico. Os usuários adoraram seu site onde tinham acesso a tudo de graça, exceto pela lista de empregos postada por empresas com fins lucrativos. O sucesso mundial foi um acidente. De repente as pessoas estavam se perguntando porque pagar um dólar se quer se poderia anunciar no site de Craig (ou outro similar) gratuitamente?

Dentro de alguns anos nenhum jornal nos EUA estava lucrando com o Mercado de ‘pequenos anúncios’.  Foi o total colapso de um mercado que já existia por gerações.

As empresas familiares estão se perguntando: qual será o próximo setor? Será que outros mercados que mantiveram por anos com uma relação de confiança com os clientes e funcionários podem simplesmente desaparecer do mapa por causa de concorrentes que fazem o mesmo serviço gratuitamente?

 Temos um papel fundamental que é dar apoio uns aos outros.

3. Alguns mercados bem estabelecidos param de crescer

Existe um argumento que o declínio parcial ou total na população de um país, adicionado ao passar dos anos e ampliações de créditos anteriores significa que alguns mercados bem estabelecidos param de crescer ou talvez fiquem menores.

Claro que haverá diferenças entre os setores e existirão algumas empresas que sucederão mesmo nos setores em declínio. Mas, de um modo geral, a vida se torna mais difícil para todos os jogadores desses mercados- incluindo as empresas familiares.

Assim, as empresas familiares serão pressionadas a direcionar-se para os mercados em que a população cresce e as condições de crédito são mais favoráveis.  Mas as crescentes tentativas de ‘internacionalização’ provavelmente resultarão em um perfil de risco diferente e ainda mais complexo.

A imagem reconfortante de uma família de muitas gerações atuando na mesma área, com uma conexão forte com a comunidade local em uma relação de longa data de confiança e lealdade pode quebrar completamente.

Será que o espírito das empresas familiares permanecerá mesmo com a distância? Será que os laços entre os primos enfraquecerão sem o convívio diário? Os valores são transferidos de forma eficaz quando as gerações moram em países diferentes?

4. Aumentando a diversidade com a entrada das filhas no negócio.

Outra mudança frequente nas famílias empresárias é a entrada de filhas e sobrinhas para fazer carreira no negócio. Em comparação com as gerações passadas, essa é uma grande mudança.

Algumas associações possuem grupos específicos de mulheres nas empresas familiares, mas alguns acreditam que esses grupos específicos diferenciam as mulheres, que deveriam ser completamente iguais aos homens, sem distinção. 

A diversidade é uma oportunidade interessante e pode trazer questões interessantes que vão requerer respostas até 2020.





5. Alguns padrões de comportamento podem trazer problemas- como sempre.

Em algumas áreas, tais como a da tecnologia, o progresso é contínuo; tende a crescer para frente e para cima. Em outras áreas, como no comportamento humano, o progresso é circular; Tende a dar voltas em um círculo interminável.

 Nos próximos anos, muitas empresas familiares enfrentarão muitas questões que estão se repetindo durante a história: excesso de confiança, isolamento dos líderes, conflitos entre irmãos, má comunicação entre gerações, medo da aposentadoria, falta de autocontrole e por aí vai.

Em todos esses desafios, as empresas familiares têm muito a aprender de outras famílias- e mais importante ainda, aprender de suas falhas e decepções. Os membros do FBN podem se ajudar através de nosso etos: de famílias para famílias.

 Annelie Karlsson do FBN Suécia finalizou a discussão ao dizer: “Seja qual for o futuro, o FBN é uma organização unida e temos um papel valioso em ajudar uns aos outros em diferentes países e indústrias para enfrentar os desafios.”

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Next Generation: 35 anos é a idade ideal para integrar-se aos negócios familiares?




Durante o FBN Next Generation Summit 2012 surgiu a seguinte questão: nossa família deve estipular uma data ideal para a Próxima Geração assumir uma função gerencial dentro da empresa familiar? 
Este artigo explora os motivos que justificam a escolha de uma idade ideal, define parâmetros para a escolha desta idade e apresentam pontos de vista da família Haub, donos da empresa alemã Tegelmann Group, que estipulou a idade de 35 anos como sendo a ideal para ingressar nos negócios.

A grande vantagem de se estipular uma idade ideal é trazer clareza às expectativas. Novos membros da Próxima Geração (NxG) se sentem menos pressionados a tomar decisões importantes sobre assumir ou não funções na empresa. “Eu sei que posso tentar este outro trabalho que ninguém vai ficar desapontado que não estou trabalhando imediatamente com meus primos.” Assim, a medida que a NxG envelhecer os membros mais antigos da família tem permissão de perguntar aos NxG sobre seu compromisso com a empresa: “veja filho, você está chegando na idade alvo, vai juntar-se a empresa, ou não? Vamos decidir, por favor.’
A idade ideal não pode ser nem muito alta nem muito baixa. Se for muito baixa a NxG não tem tempo para se experimentar , desenvolver talentos e aprender com os erros. Eles, também, não têm tempo de provar que tem valor para o negócio independentemente de serem parte da família; fundamental para a autoestima.
Mas se a idade alvo estipulada for muito alta, a NXG perde a vantagem do frescor da juventude (relativa). Um líder familiar disse: “as pessoas com 30 ou mais tendem a mudar sua forma de assumir riscos. Eles têm tanta experiência sobre tudo que pode dar errado, que ficam conservativos, deixando de colocar novo dinamismo, o que deveria caracterizar a nova geração (NxG).”

Segmentação

Pesquisas apontam que existem grandes diferenças entre famílias empresarias. Desta forma, melhor que apenas estipular uma idade ideal, indicamos duas faixas etárias, dependendo do tipo de negócio:
               

Negócio focado
(Ex: fábrica de chocolate.)
Negócios diversificados
(Ex: portfolio de empresas)
Idade alvo para que a NxG
assuma uma função executiva

25-28

30-35


               
Um negócio focado é aquele que opera em um segmento específico. É de fundamental importância que o líder compreenda profundamente este segmento. Uma família muitas vezes vai afirmar que este segmento é “parte de seu DNA”, como, por exemplo, famílias afirmando estarem envolvidas no segmento de vinhos, alimentos, moda ou construção. Geralmente a NxG deve começar muito jovem -  normalmente antes dos 30 – a se deparar com o “espírito” do setor e absorver as correspondentes competências.
Um negócio diversificado opera em diferentes segmentos e, mesmo havendo alguns assuntos comuns, a família não pode afirmar que um segmento faz “parte de seu DNA”. Não há necessidade de desenvolver habilidades específicas a um nicho particular. Pelo contrário, é interessante ter um conhecimento mais amplo de negócios – tornando experiências externas ainda mais interessantes; aqui uma faixa de idade entre 30 e 35 parece razoável.

Karl-Erivan Haub e Anna Viegener durante o evento da NxG na Alemanha 2012
Experiência Familiar

Karl-Erivan Haub é sócio diretor de quinta geração do Grupo  Tengelmann. É uma empresa bastante diversificada com mais de 80.000 funcionários em 15 países, forte em operações de varejo em tradings como Kaiser’s Tengelmann, OBI, KiK  e Plus.de, assim como a  Tengelmann Ventures, empresa de investimentos de comércio eletrônico.
Ele diz: “Trabalhei fora da empresa por quase oito anos. Foi uma oportunidade para aprender como é ser um funcionário comum, não o filho do dono.”
Ele passou um ano na Nestlé o que foi uma “boa experiência em multinacional administrada por profissionais”. Depois ele se juntou a McKinsey iniciando como consultor júnior, sendo depois promovido a consultor sênior e gerente de projeto.
 Durante a época que foi consultor, ele teve contato com uma série de empresas diferentes, aprendendo a identificar forças e evitar fraquezas: “Burocracia sufocante, pessoas forçadas a trabalhar em cargos que detestam e regras que inibem pessoas a tomar iniciativas e assumir riscos.”
A consultoria deu a Karl-Erivan Haub ferramentas intelectuais e um novo olhar sobre as questões corporativas: “aprendi a não pular de cabeça nos problemas e sim colocá-los em sequencia. Esta é uma habilidade fundamental à qual recorri várias vezes.”
Do aspecto mais “suave”, ele diz: “compartilhei a intensa experiência do primeiro emprego com pessoas que viraram e continuam meus bons amigos, além de uma rede de contatos enorme. Isto tudo é muito bom para mim.”
Mas, acima de tudo, o mais importante foi a oportunidade de conseguir algo por mérito próprio. Ele diz: “A Mckinsey não teria me mantido e, muito menos, me promovido duas vezes, a não ser que eu tivesse provado meu valor. E provando para eles, puder provar pra mim mesmo.”
Depois da queda do comunismo na Europa Oriental,  Karl-Erivan Haub  começou a trabalhar como  freelancer para várias empresas familiares, morando em um trailer e desenvolvendo locações  para lojas e depósitos na Saxônia.  Estes primeiros anos, no Leste, foram uma grande aventura no aspecto empreendedor. “Eu era meu próprio chefe o que – analisando – foi a transição ideal para assumir depois de dois anos, uma posição na empresa da família. “

Perigo

Três perigos devem ser mencionados:
Primeiro, nem toda experiência fora do negócio familiar é igualmente útil. Alguns trabalhos muito especializados e rotineiros podem fazer com que cinco anos de experiência na verdade sejam equivalentes a um ano, repetido cinco vezes. Isto acrescenta apenas um valor limitado.
Segundo, não assuma que o fato de liderar um negócio inicial seja necessariamente uma experiência ótima. Existem alguns inícios de negócios que não representam os desafios inovadores do sucesso nem os duros aprendizados do fracasso. Em vez disso, eles se arrastam, semimortos em um ciclo deprimente de pouco lucro e frustração.  Um mês a espera de clientes é igual a outro mês a espera de clientes.
Terceiro, existe o perigo, do ponto de vista da família, que a NxG venha a preferir a segurança de suas carreiras, mais do que os desafios do negócio familiar. Este é outro motivo para definir uma idade até no máximo 35 anos, pois isto reduz a chance do NxG se acomodar demais.

Aplicação

Depois de revisar todos os benefícios e ameaças, algumas famílias fizeram emendas em suas constituições e estatutos incluindo uma idade ideal para a NxG assumir cargos executivos nas empresas.  Assim foi feito pela família Haub, definindo a idade de 35 anos como a ideal.
Talvez este seja um assunto para colocar em pauta em próxima reunião familiar?

Next Generation: Sentindo-se pressionado a entrar para o negócio da família?



O que você diria a alguém que está se sentindo pressionado pela sua família a assumir uma posição executiva no negócio familiar? Em recente evento no FBN, pessoas da futura geração (NxG) se confrontaram com este cenário. Este artigo descreve este cenário, apresentando dois pontos de vista sobre o acontecido e rapidamente relata o resultado da votação feita pelo NxG durante o evento.

O cenário

Christoffer é filho único do proprietário de uma grande empresa familiar. Ele trabalhou na empresa por alguns anos e era muito bem visto. Mas, motivado por conflitos com seu pai, ele decidiu deixar a empresa. Mudou-se para outro país, casou e montou um restaurante de sucesso.

Após a repentina morte do pai (que se suicidou por causa de preocupações no trabalho) Christoffer voltou a seu país natal para uma reunião emergencial de diretoria. Sua mãe, agora acionista majoritária, requer sua volta como CEO para liderar o negócio neste momento de crise. Christoffer tem 30 minutos para decidir se resiste à pressão de assumir o negócio da família. Ele fala com sua esposa e eles decidem que seriam mais felizes se ele voltasse ao seu restaurante.

Entretanto, centenas de funcionários estão se juntando na sede para que Christoffer pudesse contar-lhes sobre a morte do pai. Há muito velhos amigos entre os empregados; pessoas que Christoffer gosta muito e que o ajudaram quando trabalhava na empresa. Christoffer sabe que eles prefeririam que ele sucedesse seu pai e não a outra opção: seu cunhado, que não é muito bem visto. Olhando para eles, pareciam ovelhas sem pastor e sentiu o desejo de ajudá-los, dar-lhes suporte e atender suas expectativas.
Em pé na frente de todos estes funcionários, Christoffer sente que não pode simplesmente abandonar a empresa. Ignorando o cuidadoso dialogo com sua esposa minutos antes, ele declara em alto e bom tom: “meu pai faleceu ontem. Ele dedicou sua vida a este trabalho e a vocês para construir a empresa – e eu seguirei seus passos. Eu assumo o compromisso de lidera-los neste momento de crise.”.

Esta é uma decisão emocional. Mas é uma decisão boa?

As opiniões estão divididas.

Pelo aspecto positivo, Christoffer teve sucesso e liderou a empresa para uma fusão brilhante que salvou o emprego de muitos e protegeu o patrimônio da família.

Pelo aspecto negativo, as longas horas dedicadas ao negócio, afastaram Christoffer do convívio com a sua esposa e o relacionamento deles sucumbiu. Christoffer, também, entrou em atrito com seu cunhado, que tem ciúmes dele, e também com sua irmã. Por causa de todo este estresse, Christoffer começa a beber muito. Resultado, ele deixa de falar com sua irmã, se divorcia da esposa e perde contato com sua linda filha.

  1. Ponto de vista de um Coach Executivo

“Eu acredito que o sucesso pessoal seja viver uma vida autêntica. Se os interesses e valores de  Christoffer fossem os mesmos da empresa familiar, então teria sentido para ele trabalhar na empresa e colher os extraordinários frutos da sinergia  que se cria quando os valores pessoais e profissionais estão alinhados. Mas, neste caso parece que houve pouca intersecção entre os interesses de Christoffer (ele realmente ama a conexão com as pessoas e compartilhar com sua comunidade) e o negócio familiar (que tem uma importância relevante na indústria do aço com foco no lucro em escala global).


“Durante meu coaching executivo, muitas vezes aparecem pessoas que se sentem presas a posições que detestam. Eles sentem que desperdiçaram suas vidas tentando apenas cumprir e realizar as expectativas e sonhos de outros.”
Estas pessoas quando envelhecem, normalmente por voltas dos 50 anos, dizem: “me sinto horrível, e faço os outros se sentirem terríveis, estamos todos brigando e nos sentindo miseráveis. Se ao menos eu tivesse sido honesto comigo mesmo – mas, agora é tarde demais e perdi a esperança.”

“As pessoas tem que entender que sempre existe escolha. Precisamos compreender a nós mesmos e o negócio da família e usar este autoconhecimento e consciência para fazer escolhas significativas para nós e também para nossos negócios familiares.”

“Se eu estivesse com Christoffer neste momento de crise, eu teria ajudado de forma que, ele olhasse para dentro de si e permanecesse leal ao que considerava prioridade, sua família e seu negócio. Talvez ele pudesse ter ficado no negócio por um ou dois anos, ajudando a transição para uma liderança profissional, retornando depois para a sua vida e seu restaurante.”

  1. Ponto de vista de uma Líder de Empresa Familiar

“Quando seu pai faleceu, Christoffer se tornou a pessoa mais qualificada para liderar a empresa neste momento de crise”. Ele possuía a experiência necessária, o respeito dos trabalhadores e o suporte dos acionistas majoritários (sua mãe). Eu acho que Christoffer fez a coisa certa ao assumir a liderança e colocar os interesses comuns acima dos próprios. Eu vejo a decisão dele como responsável e altruísta.

“Ser proprietário de uma grande empresa familiar é uma grande responsabilidade.”

“De verdade, quem de nós pode viver uma vida autêntica, alinhada com seu talento e interesses? A grande maioria das pessoas faz o que tem que ser feito e tenta fazer o melhor disto.”

“Há muitas pessoas escravizadas em trabalhos indecentes somente para ganhar alguns trocos e alimentar seus filhos e manter a família. Não acredito que estes tenham muita simpatia pelo fato de Christoffer não poder ser autêntico.”

“É verdade que Christoffer sofreu pela decisão que tomou, mas ele poderia ter tomado algumas medidas para melhorar sua situação. Que tal contratar um mediador para ajudar a administrar o conflito familiar? Que tal estabelecer padrões de trabalho mais inteligentes protegendo assim suas relações pessoais? Que tal trocar idéia com outras famílias que passaram por situações similares?”

“Eu vejo assim: ser proprietário de uma grande empresa familiar é uma grande responsabilidade. E se é necessário decidir assumir tal responsabilidade, então você vai assumir. Tanto faz se você acha que não é muito legal ou não “autêntico” para você. Ë sua responsabilidade! Você não escolheu, mas é sua obrigação. E, se você se sente isolado e sozinho, como provavelmente está, então não sofra em silêncio, procure outras pessoas em situação similar porque existem outros que, como nós, passaram por situações iguais.

“Deixe me comentar: uma vez que Christoffer salvou seu negócio através de uma fusão, sua missão estava completa. Neste momento, ele esta livre para voltar a ser “autêntico”. Mas, desta vez, com a duradoura sensação de saber que não fugiu à responsabilidade e das pessoas que dependiam dele no momento de crise. Ele sempre poderá ter o orgulho de dizer que carregou o peso quando foi necessário.”.

O Voto

No evento do FBN os membros da NxG foram questionados o que fariam no caso de Christoffer, se, também, teriam assumido a liderança da empresa no momento de crise.

Foi uma votação acirrada.
Mas a maioria disse: sim.

Fica a pergunta: Você concorda com a decisão de Christoffer?