sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Next Generation: Sentindo-se pressionado a entrar para o negócio da família?



O que você diria a alguém que está se sentindo pressionado pela sua família a assumir uma posição executiva no negócio familiar? Em recente evento no FBN, pessoas da futura geração (NxG) se confrontaram com este cenário. Este artigo descreve este cenário, apresentando dois pontos de vista sobre o acontecido e rapidamente relata o resultado da votação feita pelo NxG durante o evento.

O cenário

Christoffer é filho único do proprietário de uma grande empresa familiar. Ele trabalhou na empresa por alguns anos e era muito bem visto. Mas, motivado por conflitos com seu pai, ele decidiu deixar a empresa. Mudou-se para outro país, casou e montou um restaurante de sucesso.

Após a repentina morte do pai (que se suicidou por causa de preocupações no trabalho) Christoffer voltou a seu país natal para uma reunião emergencial de diretoria. Sua mãe, agora acionista majoritária, requer sua volta como CEO para liderar o negócio neste momento de crise. Christoffer tem 30 minutos para decidir se resiste à pressão de assumir o negócio da família. Ele fala com sua esposa e eles decidem que seriam mais felizes se ele voltasse ao seu restaurante.

Entretanto, centenas de funcionários estão se juntando na sede para que Christoffer pudesse contar-lhes sobre a morte do pai. Há muito velhos amigos entre os empregados; pessoas que Christoffer gosta muito e que o ajudaram quando trabalhava na empresa. Christoffer sabe que eles prefeririam que ele sucedesse seu pai e não a outra opção: seu cunhado, que não é muito bem visto. Olhando para eles, pareciam ovelhas sem pastor e sentiu o desejo de ajudá-los, dar-lhes suporte e atender suas expectativas.
Em pé na frente de todos estes funcionários, Christoffer sente que não pode simplesmente abandonar a empresa. Ignorando o cuidadoso dialogo com sua esposa minutos antes, ele declara em alto e bom tom: “meu pai faleceu ontem. Ele dedicou sua vida a este trabalho e a vocês para construir a empresa – e eu seguirei seus passos. Eu assumo o compromisso de lidera-los neste momento de crise.”.

Esta é uma decisão emocional. Mas é uma decisão boa?

As opiniões estão divididas.

Pelo aspecto positivo, Christoffer teve sucesso e liderou a empresa para uma fusão brilhante que salvou o emprego de muitos e protegeu o patrimônio da família.

Pelo aspecto negativo, as longas horas dedicadas ao negócio, afastaram Christoffer do convívio com a sua esposa e o relacionamento deles sucumbiu. Christoffer, também, entrou em atrito com seu cunhado, que tem ciúmes dele, e também com sua irmã. Por causa de todo este estresse, Christoffer começa a beber muito. Resultado, ele deixa de falar com sua irmã, se divorcia da esposa e perde contato com sua linda filha.

  1. Ponto de vista de um Coach Executivo

“Eu acredito que o sucesso pessoal seja viver uma vida autêntica. Se os interesses e valores de  Christoffer fossem os mesmos da empresa familiar, então teria sentido para ele trabalhar na empresa e colher os extraordinários frutos da sinergia  que se cria quando os valores pessoais e profissionais estão alinhados. Mas, neste caso parece que houve pouca intersecção entre os interesses de Christoffer (ele realmente ama a conexão com as pessoas e compartilhar com sua comunidade) e o negócio familiar (que tem uma importância relevante na indústria do aço com foco no lucro em escala global).


“Durante meu coaching executivo, muitas vezes aparecem pessoas que se sentem presas a posições que detestam. Eles sentem que desperdiçaram suas vidas tentando apenas cumprir e realizar as expectativas e sonhos de outros.”
Estas pessoas quando envelhecem, normalmente por voltas dos 50 anos, dizem: “me sinto horrível, e faço os outros se sentirem terríveis, estamos todos brigando e nos sentindo miseráveis. Se ao menos eu tivesse sido honesto comigo mesmo – mas, agora é tarde demais e perdi a esperança.”

“As pessoas tem que entender que sempre existe escolha. Precisamos compreender a nós mesmos e o negócio da família e usar este autoconhecimento e consciência para fazer escolhas significativas para nós e também para nossos negócios familiares.”

“Se eu estivesse com Christoffer neste momento de crise, eu teria ajudado de forma que, ele olhasse para dentro de si e permanecesse leal ao que considerava prioridade, sua família e seu negócio. Talvez ele pudesse ter ficado no negócio por um ou dois anos, ajudando a transição para uma liderança profissional, retornando depois para a sua vida e seu restaurante.”

  1. Ponto de vista de uma Líder de Empresa Familiar

“Quando seu pai faleceu, Christoffer se tornou a pessoa mais qualificada para liderar a empresa neste momento de crise”. Ele possuía a experiência necessária, o respeito dos trabalhadores e o suporte dos acionistas majoritários (sua mãe). Eu acho que Christoffer fez a coisa certa ao assumir a liderança e colocar os interesses comuns acima dos próprios. Eu vejo a decisão dele como responsável e altruísta.

“Ser proprietário de uma grande empresa familiar é uma grande responsabilidade.”

“De verdade, quem de nós pode viver uma vida autêntica, alinhada com seu talento e interesses? A grande maioria das pessoas faz o que tem que ser feito e tenta fazer o melhor disto.”

“Há muitas pessoas escravizadas em trabalhos indecentes somente para ganhar alguns trocos e alimentar seus filhos e manter a família. Não acredito que estes tenham muita simpatia pelo fato de Christoffer não poder ser autêntico.”

“É verdade que Christoffer sofreu pela decisão que tomou, mas ele poderia ter tomado algumas medidas para melhorar sua situação. Que tal contratar um mediador para ajudar a administrar o conflito familiar? Que tal estabelecer padrões de trabalho mais inteligentes protegendo assim suas relações pessoais? Que tal trocar idéia com outras famílias que passaram por situações similares?”

“Eu vejo assim: ser proprietário de uma grande empresa familiar é uma grande responsabilidade. E se é necessário decidir assumir tal responsabilidade, então você vai assumir. Tanto faz se você acha que não é muito legal ou não “autêntico” para você. Ë sua responsabilidade! Você não escolheu, mas é sua obrigação. E, se você se sente isolado e sozinho, como provavelmente está, então não sofra em silêncio, procure outras pessoas em situação similar porque existem outros que, como nós, passaram por situações iguais.

“Deixe me comentar: uma vez que Christoffer salvou seu negócio através de uma fusão, sua missão estava completa. Neste momento, ele esta livre para voltar a ser “autêntico”. Mas, desta vez, com a duradoura sensação de saber que não fugiu à responsabilidade e das pessoas que dependiam dele no momento de crise. Ele sempre poderá ter o orgulho de dizer que carregou o peso quando foi necessário.”.

O Voto

No evento do FBN os membros da NxG foram questionados o que fariam no caso de Christoffer, se, também, teriam assumido a liderança da empresa no momento de crise.

Foi uma votação acirrada.
Mas a maioria disse: sim.

Fica a pergunta: Você concorda com a decisão de Christoffer?

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