segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

23° International Summit 2012: Sucessão: 4 maneiras de dividir a herança




José Manuel Entrecanales foi um dos líderes de família no 23º Simpósio Internacional FBN
Durante as sessões de break-out no 23º Simpósio Internacional FBN, as discussões entre empresas familiares, ressaltaram abordagens diferentes para a questão da sucessão. Este artigo resume quatro maneiras como os proprietários podem dividir sua herança entre a próxima geração.
As quatro abordagens são:
1. Partes iguais para todos os filhos
2. Partes diferentes , dependendo de quem trabalha na empresa
3. Todas as partes para uma pessoa
4. Dividindo o negócio
# 1: partes iguais para todos os filhos
Uma grande vantagem de optar pela divisão por "partes iguais" é que parece tão bela e simples. O proprietário do negócio da família ama os seus (ou suas) filhos/as igualmente, tratando-os, portanto, de forma igual. Se ele tem quatro filhos, cada um receberá 25% das ações.
Infelizmente, uma divisão assim poderá significar problemas no futuro. É fácil imaginar uma situação em que existem quatro irmãos, dos quais apenas dois trabalham na empresa. Os dois que estão no negócio têm um incentivo para reinvestir os lucros, a fim de alcançar um crescimento mais rápido. Os dois que não trabalham na empresa podem preferir pagar lucros, na forma de dividendos, o que irá colaborar com seus estilos de vida.  A cada 'facção' com 50% dos votos, poderia haver impasse estratégico em nível de diretoria.
Vale a pena fazer referência à Fórmula de Gestão de Negócios Familiares, proposta por Gimeno, Baulenas e Coma-Cros. A fórmula é:
[Complexidade Familiar + Complexidade nos Negócios] - Desenvolvimento da Estrutura = Risco Estrutural
Analisando esta fórmula fica claro que um aumento na complexidade da família, como a passagem do controle da empresa de um único proprietário para vários, tenderá a aumentar o "risco estrutural". Risco estrutural é a probabilidade de um incidente provocar efeitos negativos com consequências incontroláveis.
Também de acordo com esta fórmula, a maneira de compensar o aumento na complexidade familiar é o "desenvolvimento da estrutura". Em termos práticos, isso pode significar a negociação de um Acordo de Acionistas, estabelecendo um Conselho de Família ou a elaboração de uma constituição familiar total. Estas estruturas podem - com sorte - permitir que a próxima geração possa lidar com a crescente complexidade familiar e com o potencial aumento de conflito.
# 2: partes diferentes, dependendo de quem trabalha na empresa
No 23º Simpósio Internacional FBN, o líder de um negócio de família explicou como seu avô dividiu o negócio entre os quatro filhos: dois filhos que trabalhavam   e duas filhas que não trabalhavam no negócio
O avô deu a cada filho 42% e a cada filha 5% das ações. As filhas receberam outros ativos, como casas e terrenos, a fim de igualar o valor com os filhos. Isso fez com que todos sentissem que a divisão foi justa.
O desdobramento das ações alcançou dois objetivos. Em primeiro lugar, deu uma clara maioria (42% + 42% = 84%) aos NxG que trabalham na empresa, permitindo-lhes controlar a direção estratégica. Esta foi uma grande vantagem em termos de capacidade de bloquear demandas de dividendos (irrealista) da NxG fora da empresa.
Em segundo lugar, em caso de um conflito entre os dois irmãos, eles precisariam do apoio de duas irmãs para um irmão derrotar o outro (42% + 5% + 5% = 52%). Em outras palavras, tinha de haver um consenso de pelo menos três em cada quatro acionistas.
Como funciona? Em várias ocasiões os dois irmãos discordaram acentuadamente. Mas quando as irmãs foram trazidas à discussão, eles não tinham mais tanta certeza de quem estava certo. Ao invés de um irmão ficar contra o outro irmão, tentaram chegar a um compromisso. Isso sempre aconteceu, portanto nunca foi realmente necessário três votarem contra um.
# 3: todas as partes para uma pessoa
Outra forma é passar  todas as ações para uma pessoa  'especial  ". Como no slogan do file  'Highlander' com Sean Connery : só pode haver um.
Em algumas famílias, este "Special One" não só mantém todas as partes, mas ele ou ela também é o único membro da sua geração autorizado a trabalhar na empresa.
Isto significa que não há nenhum aumento da complexidade familiar e assim – segundo a fórmula de Gestão da Empresa Familiar - também não há aumento do risco estrutural.
Por exemplo, vai ser fácil para a 'família' falar com uma só voz, uma vez que há realmente apenas uma voz!
Durante séculos, famílias reais adotaram esta abordagem. Supõe-se que o Rei Luís XIV da França tenha dito: "L'etat, c'est moi" (literalmente: "O Estado sou eu"). Para ele parecia óbvio que precisava ser sucedido por apenas uma pessoa.
A abordagem é simples, mas a experiência sugere que ela tende a apresentar problemas ao longo de muitas gerações. Quando se trata de sucessão, como será escolhido o próximo 'Special One’- particularmente se o número de candidatos é pequeno? E se ele ou ela acaba por não ser adequada para o negócio, ou simplesmente perde o interesse por ele?
Os reis da França são um bom estudo de caso. Luís XIV pode ter sido um grande rei, mas em pouco tempo ele foi sucedido por Luís XVI que viria a se tornar  um fabricante de relógio em vez de um rei. O "Special One" acabou por não ser muito "especial" afinal. Sua falta de interesse nas decisões vitais contribuiu para a queda da monarquia em 1789 e a destruição do poder da sua família.
# 4: Dividir os negócios
Os participantes do 23º Simpósio Internacional FBN, também ouviram falar de uma abordagem diferente para a sucessão - desta vez relativa a um conglomerado familiar. O único proprietário estava passando o negócio para os cinco filhos.
A abordagem foi a de re-organizar o conglomerado em cinco empresas, em grande parte, independentes, mas ligadas por uma conselho central. A estrutura se assemelha a uma estrela, sendo cada empresa uma das pontas e o Conselho o centro.
Cada um dos filhos do proprietário detém 100% das ações em uma empresa e cada empresa tem o direito de nomear um determinado número de diretores para o conselho central. Existem regras sobre o que pode ser decidido a nível da empresa e sobre o que pode ser decidido a nível do grupo.
É evidente que esta abordagem envolve um aumento na complexidade familiar e na complexidade dos negócios -, mas esta estrutura federal mais do que compensa estes aumentos. Lembre-se da Fórmula Gestão de Negócios de Família:
[Complexidade Familiar + Complexidade nos Negócios] - Desenvolvimento da Estrutura = Risco Estrutural
A grande vantagem dessa abordagem é que a estrutura federal pode acomodar diferentes perspectivas e prioridades na próxima geração. Há flexibilidade suficiente para a diversidade florescer.
No entanto, uma possível desvantagem é que fica muito mais fácil para o conglomerado se desmanchar em caso de sério desentendimento entre irmãos. Além disso, a longo prazo, as gerações futuras podem se sentir emocionalmente ligados só a  sua empresa em particular, enfraquecendo o compromisso da família com o conglomerado como um todo.
Indo além
As abordagens mencionadas neste artigo são apenas quatro, entre muitas opções diferentes. As condições particulares relevantes para uma família vão determinar qual a opção, ou conjunto de opções, mais adequado.
Para mais informações sobre sessões de break-out e debates do 23º Simpósio Internacional FBN , por favor visite a plataforma Xchange FBN.
Para mais informações sobre a Fórmula de Gestão da Empresa Familiar, consulte "Modelos de Negócios Familiares: Soluções práticas para a empresa familiar”, de Alberto Gimeno, Baulenas Gemma e Joan Coma-Cros. Publicado pela Palgrave Macmillan em 2010.
ISBN 978-0-230-24652

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