Denes Purnhauser, Gerente Geral da iSOLUTIONS,
Hungria
Fazem 20 anos desde o fim do comunismo na Europa Oriental e um número crescente de empresas pós-comunistas está mudando da primeira para a segunda geração. Nesta entrevista Denes Purnhauser, 34 anos, da Hungria descreve alguns dos problemas que sua família tem superado durante o processo de sucessão e reposicionamento estratégico.
A entrevista foi motivada pela participaçao de Denes no Prêmio Geração de Negócios Familiares FBN. O Prêmio agracia membros mais jovens da empresa familiares, que renovam e energizam seus negócios.
Como sua família se sente a respeito da transição de geração de 2007?
Nós três, membros da segunda geração, vimos nossos pais trabalham muito duro para construir a empresa. Havia muitas dificuldades na Hungria e apenas sobreviver era uma grande batalha. Então, nós sentimos obrigação e dever de certificar-nos que todo este trabalho duro não seja desperdiçado e permitir que nossos pais tenham uma aposentadoria calma e que possam desfrutar dos frutos de seus esforços.
Ao mesmo tempo, não queremos deixar a empresa tomar conta de nossas vidas. Haviamos visto nossos pais trabalhando quase todo o tempo e queríamos manter um equilíbrio, sem sacrificar tudo.
Que mudanças ocorreram após a sucessão?
Eu me tornei CEO da holding familiar em 2007, passei os últimos quatro anos trilhando meu caminho desde a base da nossa empresa de médio porte. Meu irmão se tornou Gerente Geral do ramo mais complexo do Grupo, assumindo também um papel de consultor e de coach para mim.
Desde quando me tornei CEO, meu foco é a criação de sistemas que permitam que empresa possa funcionar mais suavemente. Eu queria trabalhar para o negócio e não no negócio.
Fiquei muito envolvido com um processo de sistematização. Li um monte de livros e fui implementando boas práticas, o que me levou a dar palestras sobre sistematização, fui assim ganhando um perfil público. Eu achei o assunto estimulante e me tornei um especialista em Construção de Negócios. Desenvolvi projetos para outras empresas e me envolvi em nosso próprio start-up.
Mas o meu pai disse que eu deveria gastar menos tempo com este meu 'hobby' de coaching de negócios de pequeno porte. Ele queria que eu me concentrasse nos negócios da família.
Isto levou a um questionamento mais profundo do que eu ia fazer com minha vida. Estava viviendo um dilema, eu não queria passar a minha vida realizando os sonhos de outras pessoas. Percebi que poderia chegar à meia idade cheio de rancor por não ter vivido meus próprios sonhos. "
Como resolver a tensão entre as expectativas da família e seus interesses/sonhos individuais ?
Durante vários anos continuei desenvolvendo sistemas para todas as áreas da gestão da empresa, incluindo marketing, TI, finanças, recursos humanos e assim por diante. Uma vez que estes foram criados, senti que eu tinha trabalhadode forma a me tornar desnecessário no meu trabalho.
Eu já não queria ser presidente mas, e nesta linha de pensamento, encontrei um papel emocionante no negócio da família. Era um papel que conciliava sistematização e coaching de negócios. Também poderia, potencialmente, criar uma nova fonte de receita para a empresa familiar.
“ Um aspecto importante da comunicação é a criaçao de uma base de boas intenções para chegar ao outro.
A função era a de gerente geral de uma pequena empresa de TI, que tínhamos comprado alguns anos antes. Eu estava animado com a idéia de re-inventar esta empresa , transformando-a em provedora de sistemas - preenchendo uma lacuna que havia descoberto durante os meus esforços para sistematizar nosso negócio de família. Atualmente não é fácil para as empresas pequenas e médias na Hungria acessar sistemas e serviços externos. Muitas vezes, as empresas têm de "re-inventar a roda" desnecessariamente.
Como sua família reagiu ao seu desejo de trocar de papéis?
De imediato não disse para minha família: 'Isto é o que eu decidi fazer ". Em vez disso, minha abordagem foi: "Eu acho que nós estamos em um ponto de inflexão na evolução do nosso negócio de família. É hora de tomar algumas decisões que estão fora da nossa zona de conforto. Vamos falar sobre a forma de conduzir este momento e qual é o meu papel nisto e, por favor, vamos decidir como uma família ".
Para começar o meu pai não conseguiu entender por que eu iria querer 'desperdiçar' a minha vida em uma pequena empresa, em vez de me concentrar no negócio principal. No entanto, quando discutimos planos de longo prazo, ele pode ver que era uma boa idéia construir uma fonte completamente nova de receitas para os negócios da família. E a melhor pessoa para construí-la era eu, porque era uma área pela qual tenho paixão e as habilidades necessárias.
Enquanto conversávamos sobre a situação, meu irmão concordou em me substituir como CEO. Isso significava que ele tinha de adquirir novas competências. Providenciamos um período de transição longo para que ele tivesse tempo de crescer e poder assumir seu novo papel.
Felizmente meu irmão e eu temos uma boa relação de trabalho. Todo ano desde 2007 temos tido tempo de passar uma semana na Noruega para uma viagem de realinhamento. Falamos e trocamos idéias sobre o negócio . Sempre escolhemos um local remoto, sem eletricidade, de modo que nada que possa nos perturbar.
Em 2011, depois de um monte de conversas e uma quantidade de humildade, fui capaz de mudar para o meu novo papel. A viagem em que embarcamos como uma família foi muito gratificante. Acho que isso mostra a todos os membros da família que é possível perseguir seus sonhos com beneficio para a empresa. Deve ser um ganha-ganha.
Como você se sente no seu novo papel de empreendedor dentro da empresa familiar?
Foi uma grande mudança para mim passar de lidar todos os dias com muitos milhões de florins húngaros para uma escala muito menor. Foi também uma mudança estar envolvido em um projeto muito inovador, em vez de ir pelo caminho tradicional no negócio dos meus pais.
Eu acho que é fácil desanimar quando você muda para fazer algo novo. As pessoas questionam: "se a idéia era tão boa assim, porque ninguem a teve antes?"
Eu tinha que acreditar em mim mesmo, na equipe e na idéia. Como em qualquer projeto inovador, existem algumas coisas que não são previsíveis - mas temos que acreditar que somos capazes de encontrar um caminho.
A crise financeira global tem dado um sentido de urgência extra ao projeto. Nós simplesmente não sabemos como os mercados na Hungria ficarão. No caso de um cenário futuro ruim, é importante que tenhamos, em curto prazo, uma nova fonte de receita alternativa ao nosso negócio tradicional dos últimos 20 anos. Desta forma, toda a família aceita que o projeto não é um 'hobby', mas sim um projeto de alto risco para nós. "
Que lição chave gostaria de compartilhar com outras pessoas na próxima geração?
Se há uma coisa que ajudou a minha família a chegar até aqui, eu diria que é a 'comunicação'. Um aspecto importante da comunicação é ac riaçao de uma base de boas intenções para chegar ao outro. Eu não estou dizendo que a nossa família é perfeita na comunicação, mas nossos esforços para comunicar-nos são como um farol que iluminam nosso caminho. Através da discussão, percebemos que todo mundo tem diferentes pontos de vista, que podemos usar para impulsionar as coisas.
Para mais informações:
Denes Purnhauser é Gerente Geral da iSolution e ele também é membro oficial do FBN Hungria (www.fbn-h.eu). Denes era ex-CEO, e continua sendo um membro do Conselho, da Hauser Bicilcletas (www.hauser.hu) e da Hasuer Eletroportáteis (Hauser www.hauserelectronic.hu).
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