quarta-feira, 5 de junho de 2013

Next Generation: Sentindo-se preso no negócio da família?

A proposta de emprego em sua empresa familiar se parece com uma porposta de casamento arranjado? Pode um “emprego arranjado" levar a um sentimento de prisão em uma empresa familiar? Essas são duas das perguntas que surgem a partir de um livro escrito por Michael Klein, doutor em psicologia clínica. O livro é intitulado "Trapped in the Family Business ®: preso no Negócio Familiar -  Guia Prático para desvendar e administrar deste dilema oculto '.
A história de 'Melinda' demonstra como as pessoas podem gradualmente desenvolver uma sensação de aprisionamento emocional,  semelhante a algumas das situações descritas no livro. Melinda cresceu junto com o negócio fazendo parte da família; como um segundo irmão ao lado de seu  talentoso irmão mais velho.
Terminada a faculdade, ela não tinha uma carreira claramente definida,  assim sendo parecia natural voltar-se ao conforto de trabalhar no negócio da família, dando sequência ao seu trabalho durante as férias e fins de semana. Seu pai ficou muito feliz em proporcionar-lhe um emprego ("Eu só quero o melhor para minha pequena Melinda"). Ela trabalhava em um canto agradável do escritório, fazendo um trabalho importante, mas não particularmente exigente. Seus amigos sempre tinham inveja de sua aparente boa sorte, principalmente quando se viam lutando para estabelecer suas próprias carreiras
Aceitação

Melinda tinha uma "ocupação arranjada" no sentido de que ela estava em um trabalho que lhe tinha sido dado e não desenvolvido por ela. Ela não tinha escolhido a sua carreira de forma proativa, mas aceitou a que lhe foi oferecida. No entanto, como o passar dos anos, Melinda começou a sentir-se menos disposta a continuar aceitando a oferta. Ela sentiu que  não estava crescendo como profissional, e que estava presa na mesma velha rotina. Ela também sentiu que seu pai não dava valor a sua contribuição na empresa, ou pelo menos não tanto quanto valorizava a contribuição do seu irmão mais velho, antes dele sair da empresa da família por um trabalho muito bem pago em outra empresa.

Às vezes Melinda pensava em deixar a empresa também, mas várias coisas a detinham. Ela não queria ferir seu pai, rejeitando o trabalho que ele tinha oferecido como um sinal de seu amor. Ela também não queria se sentir responsável pelos impactos negativos que sua saída poderia ocasionar sobre os negócios da família. Cada vez mais, Melinda sentia-se presa.
E mais, na verdade Melinda tinha um pouco de medo de deixar a segurança dos negócios da família. Ela poderia lidar com um trabalho "real"? Em "Trapped in the Family Business" Dr. Klein escreve: "Talvez um negócio de família, ou um trabalho específico seja tão especializado e único (ou pelo menos assim parece) que é difícil imaginar como as habilidades necessárias para realizar estas tarefas possam ser aplicadas em outro lugar. "

Choque
Um dia o pai chamou Melinda ao seu escritório para apresentar-lhe algumas pessoas que estavam interessadas em comprar a empresa. Melinda ficou chocada. O negócio ia mudar completamente. Era como se ela estivesse tolerando um  "casamento arranjado" - e de repente descobre que seu parceiro é uma pessoa completamente diferente!

Melinda sentiu-se magoada por seu pai nunca ter sequer mencionado a possibilidade de passar o negócio para ela, em vez de vendê-lo. Parecia mais um exemplo do seu pai ignorando-a, em completo contraste com a maneira que ele deu a noticia ao seu filho. Mais tarde descobriu-se que seu irmão já sabia da venda e que inclusive havia encorajado a idéia.

Melinda sentiu-se péssima e  buscou aconselhar-se com outras pessoas. Dr. Klein escreve: "Uma das coisas mais úteis que você pode fazer por si mesmo é encontrar outras pessoas em situações idênticas ou similares. Por que isso é útil? Porque quase todos os seres humanos sentem vergonha ou constrangimento quando acreditam que sua situação (ou sentimento ou experiência) seja estranha ou incomum. Normalmente a vergonha ou o constrangimento ficam  nos atravancando o  caminho da solução dos problemas. "

Ação
Melinda conversou com um velho amigo de escola, muito simpático, mas que sabia pouco sobre o negócio da família. O amigo sugeriu que Melinda devesse procurar  seu pai e fazer uma proposta séria para assumir o negócio. Melinda gostou da idéia de assumir o  controle da empresa e seguir seus desejos. Ela também gostou da idéia de provar a seu pai que ela era tão boa quanto qualquer filho poderia ser.

Ela encontrou um conselheiro que era bom com as finanças e logo ela tinha estruturado um plano forte. No início seu pai pensou que ela estava brincando, mas, com o tempo,  percebeu que era sério e que poderia ter um resultado positivo para  ambos. Depois de muita conversa e negociação um acordo foi feito, o pai se aposentou completamente e Melinda assumiu o comando da empresa - e de sua vida.

No começo  Melinda sentiu-se fortalecida e cheia de otimismo. Mas em alguns meses, ela começou a afundar na realidade de sua nova vida. Ela lutou para manter-se acima dos intermináveis  problemas no trabalho, vivia sempre  sob pressão, começou a odiar as exigências de todos os consumidores e de ter que ser responsável por tudo. Apesar disso, Melinda sentiu que não podia sair. Ela estava novamente presa ao negócio da família, desta vez por causa de seu ego (orgulho). Ela estava determinada a provar que seu pai estava errado sobre ela e agora ela se sentia incapaz de desistir desta tarefa.

Michael Klein observa que, por vezes,  os membros da família ficam nos  negócios apenas para demonstrar que eles podem fazer algo que ninguém pensou que eram capazes de fazer. Ele escreve: "Mostrar ou provar seu valor para os outros torna-se mais importante que a sua própria satisfação profissional, metas de longo prazo ou, em muitos casos, um relacionamento satisfatório com o cônjuge e os seus próprios filhos".

Opções
Como então  pessoas como Melinda podem  combater o sentimento de estar emocionalmente presos ao negócio da família? Dr. Klein sugere três grandes opções:

1. Mudar a perspectiva.
2. Tomar uma atitude.
3. Sair.

Para mudar a perspectiva é útil falar com os outros - e não apenas com um amigo solidário, mas também com pessoas que realmente entendem a complexidade dos sistemas familiares e seus negócios; membros de outras empresas famíliares, conselheiros de negócios e profissionais que trabalham com as famílias. Também pode ser útil falar seriamente com outros membros da família, mas muitas vezes isso exigirá uma preparação cuidadosa, pois pode causar tensão e conflito. Michael Klein escreve: "Através da auto-reflexão ou se expor, algumas pessoas são capazes de alterar significativamente a compreensão do seu papel ou do que os negócios da família significam para eles, ou ter um plano mais específico para o futuro,disspiando a sensação de prisão. "

Se a sensação de estar preso permanece, talvez seja hora de considerar a ação. Melinda poderia mudar seu papel ou modificar seu trabalho? Outra opção poderia ser a de alterar significativamente o negócio. Michael Klein observa que isto pode ser uma excelente oportunidade para os proprietários-gerentes melhorarem a sua eficácia e satisfação. Ele acrescenta que "o espírito empreendedor, muitas vezes anseia por este tipo de transformação e atividade."

A alternativa de deixar ou vender o negócio, é a mudança mais drástica que alguém como Melinda pode tomar na tentativa de escapar de um sentimento emocional de aprisionamento. Dr. Klein adverte que esta decisão deve ser tomada somente depois de considerar todas as opções, pesando-as cuidadosamente. "Se mais parece uma fuga rápida (ou um jailbreak), então proavelmente voce não fez ainda toda sua lição de casa."


Para mais informações sobre "Trapped in the Family Business ®" visite trappedinthefamilybusiness.com. O livro está disponível no formato de bolso ou e-book.

Nenhum comentário:

Postar um comentário