A proposta de emprego em sua empresa
familiar se parece com uma porposta de casamento arranjado? Pode um “emprego
arranjado" levar a um sentimento de prisão em uma empresa familiar? Essas
são duas das perguntas que surgem a partir de um livro escrito por Michael
Klein, doutor em psicologia clínica. O livro é intitulado "Trapped in the
Family Business ®: preso no Negócio Familiar -
Guia Prático para desvendar e administrar deste dilema oculto '.
A história de 'Melinda'
demonstra como as pessoas podem gradualmente desenvolver uma sensação de
aprisionamento emocional, semelhante a
algumas das situações descritas no
livro. Melinda cresceu
junto com o negócio fazendo parte
da família; como um segundo
irmão ao lado de seu
talentoso irmão
mais velho.
Terminada a faculdade, ela não tinha uma carreira claramente definida, assim sendo parecia natural voltar-se ao conforto de trabalhar no negócio
da família, dando sequência ao seu trabalho lá durante as férias e
fins de semana. Seu pai ficou muito
feliz em proporcionar-lhe um
emprego ("Eu só quero o melhor para minha pequena Melinda"). Ela trabalhava em um canto agradável do escritório, fazendo um trabalho importante,
mas não particularmente exigente.
Seus amigos sempre tinham inveja de sua aparente boa sorte,
principalmente quando se viam lutando para
estabelecer suas próprias carreiras
Aceitação
Melinda tinha uma "ocupação arranjada" no sentido de que ela estava em um trabalho que lhe tinha sido dado e não desenvolvido por ela. Ela não tinha escolhido a sua carreira de forma proativa, mas aceitou a que lhe foi oferecida. No entanto, como o passar dos anos, Melinda começou a sentir-se menos disposta a continuar aceitando a oferta. Ela sentiu que não estava crescendo como profissional, e que estava presa na mesma velha rotina. Ela também sentiu que seu pai não dava valor a sua contribuição na empresa, ou pelo menos não tanto quanto valorizava a contribuição do seu irmão mais velho, antes dele sair da empresa da família por um trabalho muito bem pago em outra empresa.
Às vezes Melinda pensava em deixar a empresa também, mas várias coisas a detinham. Ela não queria ferir seu pai, rejeitando o trabalho que ele tinha oferecido como um sinal de seu amor. Ela também não queria se sentir responsável pelos impactos negativos que sua saída poderia ocasionar sobre os negócios da família. Cada vez mais, Melinda sentia-se presa.
E mais, na verdade Melinda tinha um pouco
de medo de deixar a segurança dos negócios da família. Ela poderia lidar com um
trabalho "real"? Em "Trapped in the Family Business" Dr.
Klein escreve: "Talvez um negócio de família, ou um trabalho específico seja tão especializado
e único (ou pelo menos assim parece) que é difícil imaginar como as habilidades
necessárias para realizar estas tarefas possam ser aplicadas em outro lugar.
"
Choque
Um dia o pai chamou Melinda ao seu
escritório para apresentar-lhe algumas pessoas que estavam interessadas em
comprar a empresa. Melinda ficou chocada. O negócio ia mudar completamente. Era
como se ela estivesse tolerando um
"casamento arranjado" - e de repente descobre que seu parceiro
é uma pessoa completamente diferente!
Melinda sentiu-se magoada por seu pai nunca
ter sequer mencionado a possibilidade de passar o negócio para ela, em vez de
vendê-lo. Parecia mais um exemplo do seu pai ignorando-a, em completo contraste
com a maneira que ele deu a noticia ao seu filho. Mais tarde descobriu-se que
seu irmão já sabia da venda e que inclusive havia encorajado a idéia.
Melinda sentiu-se péssima e buscou aconselhar-se com outras pessoas. Dr.
Klein escreve: "Uma das coisas mais úteis que você pode fazer por si mesmo
é encontrar outras pessoas em situações idênticas ou similares. Por que isso é
útil? Porque quase todos os seres humanos sentem vergonha ou constrangimento
quando acreditam que sua situação (ou sentimento ou experiência) seja estranha
ou incomum. Normalmente a vergonha ou o constrangimento ficam nos atravancando o caminho da solução dos problemas. "
Ação
Melinda conversou com um velho amigo de
escola, muito simpático, mas que sabia pouco sobre o negócio da família. O
amigo sugeriu que Melinda devesse procurar seu pai e fazer uma proposta séria para
assumir o negócio. Melinda gostou da idéia de assumir o controle da empresa e seguir seus desejos. Ela
também gostou da idéia de provar a seu pai que ela era tão boa quanto qualquer
filho poderia ser.
Ela encontrou um conselheiro que era bom
com as finanças e logo ela tinha estruturado um plano forte. No início seu pai pensou que ela estava brincando,
mas, com o tempo, percebeu que era sério
e que poderia ter um resultado positivo para ambos. Depois de muita conversa e negociação
um acordo foi feito, o pai se aposentou completamente e Melinda assumiu o comando
da empresa - e de sua vida.
No começo Melinda sentiu-se fortalecida e cheia de
otimismo. Mas em alguns meses, ela começou a afundar na realidade de sua nova
vida. Ela lutou para manter-se acima dos intermináveis problemas no trabalho, vivia sempre sob pressão, começou a odiar as exigências de
todos os consumidores e de ter que ser responsável por tudo. Apesar disso,
Melinda sentiu que não podia sair. Ela estava novamente presa ao negócio da
família, desta vez por causa de seu ego (orgulho). Ela estava determinada a
provar que seu pai estava errado sobre ela e agora ela se sentia incapaz de desistir
desta tarefa.
Michael Klein observa que, por vezes, os membros da família ficam nos negócios apenas para demonstrar que eles podem
fazer algo que ninguém pensou que eram capazes de fazer. Ele escreve:
"Mostrar ou provar seu valor para os outros torna-se mais importante que a
sua própria satisfação profissional, metas de longo prazo ou, em muitos casos,
um relacionamento satisfatório com o cônjuge e os seus próprios filhos".
Opções
Como então pessoas como Melinda podem combater o sentimento de estar emocionalmente
presos ao negócio da família? Dr. Klein sugere três grandes opções:
1. Mudar a perspectiva.
2. Tomar uma atitude.
3. Sair.
Para mudar a perspectiva é útil falar com
os outros - e não apenas com um amigo solidário, mas também com pessoas que
realmente entendem a complexidade dos sistemas familiares e seus negócios; membros
de outras empresas famíliares, conselheiros de negócios e profissionais que
trabalham com as famílias. Também pode ser útil falar seriamente com outros
membros da família, mas muitas vezes isso exigirá uma preparação cuidadosa,
pois pode causar tensão e conflito. Michael Klein escreve: "Através da auto-reflexão
ou se expor, algumas pessoas são capazes de alterar significativamente a
compreensão do seu papel ou do que os negócios da família significam para eles,
ou ter um plano mais específico para o futuro,disspiando a sensação de prisão.
"
Se a sensação de estar preso permanece,
talvez seja hora de considerar a ação. Melinda poderia mudar seu papel ou
modificar seu trabalho? Outra opção poderia ser a de alterar significativamente
o negócio. Michael Klein observa que isto pode ser uma excelente oportunidade
para os proprietários-gerentes melhorarem a sua eficácia e satisfação. Ele
acrescenta que "o espírito empreendedor, muitas vezes anseia por este tipo
de transformação e atividade."
A alternativa de deixar ou vender o
negócio, é a mudança mais drástica que alguém como Melinda pode tomar na
tentativa de escapar de um sentimento emocional de aprisionamento. Dr. Klein
adverte que esta decisão deve ser tomada somente depois de considerar todas as
opções, pesando-as cuidadosamente. "Se mais parece uma fuga rápida (ou um
jailbreak), então proavelmente voce não fez ainda toda sua lição de casa."
Para mais informações sobre "Trapped
in the Family Business ®" visite trappedinthefamilybusiness.com. O livro
está disponível no formato de bolso ou e-book.
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