Plano de sucessão e governança foram os assuntos
centrais da XV Convenção Internacional do FBN na Índia, realizada em Nova Delhi
– março de 2013. (O evento “por famílias, para famílias” durou dois dias e
atraiu os maiores proprietários de empresas familiares da Índia, abordando
temas como 1) deixar ir, 2) preparação da Next Generation – próxima geração, 3)
complexidade nas sucessões 4) diretores não familiares independentes.
1.
‘Deixar ir’ e ‘vestindo o manto’
No passado os líderes costumavam usar um manto, que simbolizava poder e
autoridade. Quando chegava o tempo de um novo líder, duas coisas aconteciam:|
‘Deixar ir’
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‘assumindo o manto’’
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Quem?
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Geração sênior
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Nova Geração
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Porque?
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Visão – ‘porque quero dar poder a outros, que podem ter mais sucesso do que
eu’.
Humildade– ‘porque uma pessoa mais jovem pode fazer o trabalho melhor que eu’. Realidade – ‘porque não tenho mais condições de cumprir com meus deveres como deveria’. |
Autenticidade – ‘ porque não está de acordo aos meus desejos, capacidade e competências.’
Paixão – ‘ porque me preocupo com a empresa e a as pessoas que trabalham nela e também me preocupo em passar esta herança à próxima geração’. Dever– ‘porque é do interesse da família e dos stakeholders.’ |
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Quando?
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Quando atingir a idade certa para aposentadoria (expo: 65 anos) ?
Quando as circunstâncias assim o exigirem? Quando os sucessores estiverem prontos? |
Quando as competências de liderança estiverem claramente comprovadas? Quando
tiver adquirido suficiente educação e experiência fora da empresa?
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Na maioria das vezes, a prática traz a perfeição. Se você quer melhorar seu jogo de golf, deve jogar mais vezes. No caso da sucessão é diferente, pois quanto mais coisas acontecem, mais aumenta a complexidade . A sucessão na verdade se parece mais com o processo de dobradura da mesma folha de papel. Se você conseguir dobrar o papel 8 vezes , você fez um trabalho excelente; ninguém consegue dobrá-lo 10 vezes.
A Dra. Karlsson falou sobre o valor de um diretor ou conselheiro não familiar na empresa. – ambos envolvidos tanto nas questões de sucessão, quanto em assuntos gerais. O diretor independente pode atuar como um parceiro crítico, sem o envolvimento emocional que afeta os familiares.
Um relatório sobre a XV Convenção FBN Internacional na Índia “Conectando gerações através de boas práticas de governança” está disponível via Xchange.
1.
A
geração sênior deveria entregar o manto.
2.
A
geração nova deveria aceitar o manto, colocá-lo nos ombros e começar a exercer
sua liderança.
A
sucessão pode falhar se a geração sênior não entregar o poder, talvez por medo
da vida sem esta posição ou por falta de confiança nos sucessores.
A
sucessão também pode falhar se a nova geração se recusar a vestir o manto,
talvez por não se sentirem confortáveis com as exigências e deveres da liderança.
A
tabela abaixo resume as duas partes do processo de sucessão, distintas, mas
intimamente ligadas
O
processo de “deixar ir” e “vestir o manto” pode acontecer muito lentamente. Um
orador descreveu o processo como “glaciar”, referindo-se ao movimento gradual das geleiras formadas por gelo e neve nos
vales. Uma geleira é empurrada pela inexorável
força da gravidade, as rochas persistentes avançam sofrida e lentamente. Ainda
assim, mais cedo ou mais tarde, o inevitável acontece.
O
processo de sucessão pode transcorrer de forma mais suave, se todas as gerações
reconhecerem a importância de se adaptar às diferentes etapas da vida. No
hinduísmo são considerados 4 estágios de vida: Brahmacharya (vida de estudante),
Grihastha (vida doméstica), Vanaprastha (aposentadoria) e Sannyasa (renuncia).
A
geração sênior se beneficia através de uma visão positiva da Vanaprastha (aposentadoria).
Pode ser aproveitando a sensação de dever cumprido com a família e a sociedade
ou passando conhecimento e sabedoria ao próximo. O desejo de atingir o Vanaprastha facilita o “deixar ir.”
Para
a próxima geração deve haver o reconhecimento da riqueza do estágio Grihastha (vida doméstica). Sim, pode
significar um período de maiores
exigências servindo outros através de trabalho árduo e grande comprometimento com
a família. Mas é um estágio da vida com mais oportunidades de Artha (riqueza), Dharma (retitude), Kama
(prazer) e Moksha (liberação).
2. Educação formal e preparação informal
“Peguei o básico assistindo as discussões em casa e
com pessoas que conheci quando era mais jovem,” explicou um palestrante da NxG
na Convenção “nossa mesa de jantar foi uma escola e as pessoas na minha casa
tinham ar de mentores. Papai foi meu guru, trazendo à mesa um monte de valores.”
Outro
NxG disse: “ meus modelos foram todos os executivos e nunca considerei outra
carreira. Nos últimos anos de minha educação formal, passei bastante tempo na nossa
empresa, onde meu pai me iniciou no mundo dos negócios. Aprendi tudo com meu
pai, como ele lida com os problemas. Ele até falava das ocasiões em que tomou
decisões erradas.”
Um
terceiro palestrante, que agora assumiu com muito sucesso o manto de seu pai,
disse: “ meu irmão e eu nos imbuímos dos valores familiares durante todas as
nossas vidas, na hora do jantar, escutando conversas, participando de várias
reuniões familiares, etc...(mas) não recebemos preparação formal antes de
entrarmos no negócio da família.”
3. ‘A prática traz a perfeição’ x ‘a prática traz
problemas’
A
Dra. Annelie Karlsson, Diretora Executiva
do FBN da Suécia, conduziu uma grande quantidade de sessões na Convenção. Ela
percebeu que as estruturas familiares na India são mais complexas que as
europeias e norte americanas – o que traz desafios adicionais no que diz
respeito à sucessão.
Ela
diz: “ Quanto mais as famílias na Índia tem que planejar além da terceira
geração de proprietários, tanto mais aumenta a complexidade nas sucessões.” Para ajudar a sobrepor os perigos desta
complexidade, pode ser interessante contar com perspectivas externas para o
planejamento sucessório.
4. ‘Ficando em
família’ x trazendo profissionais independente’
Este
executivo independente não familiar, pode tornar-se o MTA – Conselheiro Mais
Confiável. O MTA é uma pessoa que se encaixa na cultura familiar e em quem
todos confiam. Ele ou ela devem entender as diferenças entre propriedade e negócio
simplesmente, sendo capaz de representar os interesses dos donos. Ou seja, o
MTA deve ser um expert em processos leais.
Ao
escolher diretores independentes é importante escolher alguém que coloque suas
ideias com verdade e coragem, sempre mantendo a discrição. A Dra. Karlsson
completa: “Outras qualidades importantes do diretor independente são:
habilidade de ouvir, lealdade à implementação e capacidade de fusão dos pontos
de vistas dos outros e pessoais.
A
Dra. Karlsson acredita que é uma grande vantagem se esta pessoa independente
tiver experiência em empresas familiares. Talvez outros proprietários de
empresas familiares possam se tornar diretores independentes em outras empresas
familiares. Pessoas nascidas em outros países (expatriados) também pode ser uma
boa opção, pois trazem experiência internacional e uma nova visão.
Ela
conclui que, no que tange diretores e conselheiros independentes, as famílias
não deveriam pensar em economia: “escolha o melhor”.
Questões para discussão relacionadas a sucessão e
governança
Para a família:
Para a nova
geração:
Para mais informações:

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